Marcuse, estética, imaginação e desejos
Palavras-chave:
nova sensibilidade, mudança de paradigma, intuição sensível, determinação da realidadeResumo
Porque a forma como a sociedade se reproduz na consciência está localizada na imaginação e nos desejos de seus membros, percebendo a penetração das normas e valores sociais na estrutura pulsional dos indivíduos, veremos (1) como Marcuse relaciona o movimento de emancipação sociopolítica com transformações na percepção mutilada, (2) o lugar da dimensão estética nas formas de percepção, considerando a polissemia do termo derivado da aisthesis: referente aos sensível, aos sentidos, à beleza e à arte. Marcuse enfatiza o papel ativo dos sentidos na produção da matriz de inteligibilidade por meio da qual experimentamos, interpretamos e ordenamos o mundo da vida. Focamos nas reflexões formuladas a partir da década de 1960, quando Marcuse percebe, no Zeitgeist, uma “nova sensibilidade” capaz de contrapor-se à experiência dos sentidos condicionada e contida pela racionalidade instrumentalizada. Consideramos neste artigo que a nova sensibilidade pode conduzir a uma “mudança de paradigma”, capaz de colocar em xeque a própria determinação do real em curso. Para concluir, mostraremos a defesa radical da permanência da arte, como fenômeno transformador da percepção sensível, conforme esta aparece em sua última obra. Sua alienação da realidade permite à obra de arte expressar tanto uma recusa ao dado quanto a experiência de situações distintas.
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